Muito trabalho. Muito convívio em final de ano lectivo. Despedidas. Tristezas. Alegrias.
Algum descanso. Muita música. Sempre.
Algum descanso. Muita música. Sempre.
Imagem: Alan Feltus, The Angel of Santa Felicita (1994)
Começo a pensar, e a crer, que a interessante filosofia de Berkeley (aliás, algo esquecida) poderá fazer sentido, ainda que apenas parcialmente. Aquela fantástica conclusão a que chega - a de que as coisas são ideias e que o seu ser depende da nossa percepção. Bom, neste caso, é quase impossível não admitir a hipótese de que a nossa percepção pode estar sujeita a alterações e correcções. Não tanto devido a uma possível desadequação entre o que percepciona e o que é percepcionado (de acordo com Berkeley, nem sequer há matéria), mas sobretudo pelas condições em que a percepção se dá, criando a própria realidade.
Por motivos pessoais, tenho reflectido acerca do perdão. Trata-se de uma noção estreitamente ligada à doutrina cristã. Eu fui educada para perdoar. Mas... estranho seria não ter tido que me interrogar acerca disto (tal como acerca de tantas outras coisas...), ao longo do tempo.
Nesta fase pós-eleições europeias, o que não deixa de me inquietar é o elevado nível de abstenção. Este aspecto tem sido sobejamente focado por muitos dos que se preocupam com os factos políticos, mas penso que deverá ser matéria de reflexão ainda mais exaustiva. É a democracia que está em causa, é à democracia que compete auto-analisar-se nos caminhos que actualmente percorre.
Quem procura verdades num contexto sobretudo filosófico, encontra-se, pela própria natureza da sua actividade, num plano que se procura exterior ao domínio político. Mas isso não significa que a sua existência decorra afastada e esquecida da sua posição no mundo "humano, demasiado humano" a que todos pertencemos. Pelo contrário, o exercício concreto da cidadania faz parte do seu plano de acção, o qual se procura distinguir de um exercício teórico e ideal - importante, mas que não abarca todas as dimensões da sua situação no mundo.
«Sem dúvida que todas estas funções de relevância política são exercidas no exterior do domínio político. Elas requerem distanciamento e imparcialidade, libertação dos interesses pessoais, no acto de pensar e de julgar. A procura desinteressada da verdade tem uma longa história; (...).